Caritas SP monitora casos de Covid-19 durante atendimentos à população refugiada

O setor de Assistência do Serviço de Acolhida e Orientação para Refugiados da Caritas Arquidiocesana de São Paulo tem acompanhado os casos de Covid-19 identificados entre o público atendido. Em 2020, foram 11 casos; neste ano, até o momento, a Caritas SP registrou dois casos relatados. O monitoramento é feito nos atendimentos online e tem como objetivo dar respostas mais rápidas ao público que atende. Responsável pela condução do trabalho, a voluntária e assistente social Deborah Carvalho fala, na entrevista a seguir, sobre as especificidades desse trabalho realizado no contexto da pandemia, além de outras demandas que chegam semanalmente ao setor de Assistência.

 

Fale um pouco sobre o seu trabalho no setor de Assistência.

A pandemia de COVID-19 trouxe o agravamento e a sobrecarga dos serviços públicos de saúde, e o fechamento temporário de diversos equipamentos socioassistenciais. Então dado esse contexto, houve a necessidade de atender esse público com mais atenção em suas demandas de saúde as quais impactam a qualidade de vida e o acesso à integração na cidade de São Paulo. Das atividades que realizei, como Consultora de Saúde durante o período de contratação e, atualmente, como voluntária, os tópicos principais são: os mapeamentos de locais de apoio e recuperação pós-hospitalar para pessoas sem familiares; matriciamento das enfermidades; acolhimento de pessoas com Covid-19 e seus familiares; orientação sobre como se prevenir contra a Covid e os cuidados pós Covid; orientação, acolhimento e reflexão com os refugiados quanto à importância do tratamento de saúde; encaminhamento e acompanhamento de casos individuais junto à rede pública, encaminhamentos à UBS de referência e  às clínicas médicas parceiras; orientá-los quanto às medicações disponíveis no SUS e onde procurar esses serviços.

 

Como tem sido o monitoramento de pessoas refugiadas que tiveram Covid-19? Há algum procedimento específico no atendimento?

O monitoramento, atualmente, é feito de forma remota, sempre reforçando a necessidade dos cuidados, como isolamento social. Nos casos mais graves, em que o principal responsável está impossibilitado de exercer atividade geradora de renda, por conta de alguma doença, então é realizado o encaminhamento para a Assistência a fim de obter  o auxílio financeiro. Se houver necessidade de algum medicamento que não esteja disponível no SUS, ajudamos com verba para a aquisição, apresentando receita médica, laudo e cotações de valores. Durante todo o atendimento, o refugiado ou familiar é contatado por meio de WhatsApp para sabermos como está a sua recuperação.

 

Como tem sido a rotina da Assistência em tempos de pandemia, o que as pessoas mais relatam?

A demanda na pandemia aumentou muito, principalmente a partir de janeiro deste ano, por conta do fim do auxílio emergencial. Desde o ano passado é feito atendimento remoto, e uma vez por semana na forma presencial para a entrega da ajuda financeira e doações de cesta básica, kit de higiene e limpeza.

A maior dificuldade é a falta de emprego, a falta de recursos para pagar o aluguel e comprar alimentos, como também agendar consultas médicas com especialistas. Atendemos um número elevado de pessoas com comorbidades crônicas, que necessitam de atendimento médico urgente, e não conseguem na rede pública, não só pelo colapso no Sistema de Saúde na pandemia, mas também pela dificuldade com o nosso idioma.

 

Algo que queira acrescentar?

Esse último ano foi bem desafiador, no geral, para toda equipe, que tradicionalmente, atende de forma presencial, gerando assim empatia com o público atendido.  No modelo remoto, o vínculo de confiança leva mais tempo, o que torna o trabalho mais complexo.

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