O papel dos cursos profissionalizantes na integração de pessoas em situação de refúgio

M. Mokula Claver é congolês e chegou ao Brasil há três anos. Em seu país de origem trabalhava como professor. A chegada ao Brasil foi uma etapa difícil de readaptação, como ocorre com a maioria das pessoas migrantes e refugiadas, pois é necessário aprender um novo idioma, encontrar trabalho e reconstruir laços afetivos em um novo contexto cultural.

 

“As principais dificuldades foram a busca por trabalho digno, o domínio da língua, ser aceito com minha cultura nos lugares de trabalho e o preconceito”, conta Claver. Após aprender o português, o jovem agora deseja fazer um curso profissionalizante.

 

Com a possibilidade de solicitantes de refúgio poderem também se matricular em cursos profissionalizantes, resultado da parceira de Caritas SP, ACNUR e Sesi/Senai-SP, encontrar capacitação ficou mais acessível – sobretudo para quem precisa se recolocar profissionalmente. Antes, o acesso aos cursos exigia a documentação de refugiado reconhecido, mas agora o documento provisório de solicitação de refúgio passou a ser também aceito.

 

“É importante garantir que pessoas solicitantes de refúgio possam estruturar suas vidas enquanto aguardam a tramitação de seus pedidos de refúgio”, explica Ana Paula Caffeu, coordenadora do setor de Integração do Serviço de Acolhida e Orientação para Refugiados da Caritas SP.

 

É possível ter acesso a mais de 40 cursos de curta duração, que serão oferecidos nas áreas de Marketing, Tecnologia, Gestão, Mecânica, Logística, Meio Ambiente, Metalúrgica, TI, Saúde e Segurança do Trabalho, Produção, Construção Civil e Automação.

 

M. Mokula Claver deseja cursar especialização no software Excel e também estudar Gestão de Recursos Humanos. Perguntado sobre a motivação da busca por especialização, ele diz querer “achar um emprego melhor, trabalhar e ter uma vida digna”. Para as pessoas que chegam ao Brasil e que ainda não conseguiram revalidar os diplomas de suas áreas de atuação e formação (processo burocrático e demorado aqui no Brasil) a especialização funciona como alternativa de integração.

 

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