A Caritas Arquidiocesana de São Paulo (CASP), em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o Instituto Pão de Açúcar e a Migraflix, celebrou a formatura de mais de 30 afegãos e afegãs que concluíram o curso Gastronomia Intercultural e Rotisserie São Paulo, voltado à população afegã em situação de refúgio.
A cerimônia, realizada no auditório do Grupo Pão de Açúcar na sexta-feira (31/7), reuniu representantes das instituições parceiras: Jorge Jubilato, diretor-executivo de Gente, Gestão e Sustentabilidade do Grupo Pão de Açúcar, e Vivian Holzhacker, associada de Soluções Duradouras no ACNUR.
Representando a CASP, estiveram presentes o diretor, Diácono Márcio José Ribeiro, o coordenador do Serviço de Acolhida e Orientação para Refugiados (SAOR), Ronaldo Vieira, a agente de Ação Social, Brenda Gonzales, que acompanhou os alunos de perto ao longo do curso, e os mediadores culturais afegãos Sabera Rezaie e Wais Essa.

Em sua fala, o Diácono Márcio agradeceu a confiança que os parceiros depositaram no trabalho da CASP e reforçou a importância da gastronomia como lugar de acolhida. “A gastronomia não necessita de tradução. Uma mesa farta é quase que uma tradução que diz a quem chega: ‘Aqui, você é bem-vindo’. Obrigado aos irmãos e irmãs afegãos por confiarem no Brasil. Que este país seja a sua segunda pátria e vocês podem continuar a contar conosco”, disse.
Três alunos afegãos falaram durante a cerimônia em português. Mohammad Hesaby, conhecido como Pedro, salientou que “a comida representa nossa família e nossa cultura, sendo muito mais do que uma necessidade para o corpo”.
Mahdi Sobhan abordou todos os ensinamentos do curo. “Aprendemos sobre higienização e preparação dos alimentos. Mas esse curso mostrou que a comunidade migrante tem bastante capacidade. Não se esqueçam de que podemos ajudar muito vocês”, disse.
Já a afegã Shogofa Farahmand afirmou que as aulas foram muito importantes e conclamou as organizações a contratarem os serviços da comunidade afegã. “Podem nos chamar para fazermos as comidas dos eventos. Vocês podem nos apoiar ainda mais contratando nossos serviços”, disse.
Após a entrega dos diplomas, os participantes celebraram a conquista em uma confraternização com pratos da culinária afegã e releituras de receitas típicas brasileiras, como a coxinha.
Demanda atendida

Brenda Gonzales, agente de Ação Social da CASP que acompanhou os alunos durante toda a trajetória, destacou que a iniciativa foi desenvolvida como uma continuidade das demandas apresentadas pelos alunos e pelos empreendedores atendidos pelo projeto.
“Nas edições anteriores, as formações foram voltadas para temas como empreendedorismo, finanças e marketing, fornecendo uma base sólida para o desenvolvimento dos negócios. Nesta etapa, o objetivo foi transformar esse conhecimento em prática”, afirmou.
Durante a formação, eles aprenderam sobre boas práticas de manipulação de alimentos, produção em larga escala, técnicas de decoração e a valorização da interculturalidade por meio da gastronomia.
“Além do aprimoramento técnico, o curso promoveu uma rica troca de saberes entre a culinária brasileira e a afegã, fortalecendo o diálogo cultural e ampliando as possibilidades de atuação dos participantes”, disse Brenda.
Muitos dos alunos, segundo ela, já participam de feiras gastronômicas e utilizam a culinária como fonte de geração de renda. Por essa razão, o curso foi essencial para fortalecer as competências práticas, elevar a qualidade dos produtos oferecidos e ampliar suas oportunidades de inserção no mercado.
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